Brasil garante exceções ao "tarifaço" dos EUA: alívio para quase metade dos produtos exportados
- Aline Amorim

- 1 de ago. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 2 de ago. de 2025
EUA impõem tarifa de 50% a produtos do Brasil, mas concedem exceções para 43% das exportações, incluindo combustíveis, aviões e celulose. Café e carne bovina continuam taxados. Governo brasileiro prepara reação.
Por Aline. Amorim | Sex. 1 Ago 2025.
Em 30 de julho de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva impondo uma tarifa adicional de 40 % sobre produtos brasileiros, elevando a taxa total para 50 %. A ação foi justificada por uma suposta ameaça à segurança nacional e à política externa dos EUA. A medida passará a valer sete dias após a publicação do decreto, ou seja, em 6 de agosto de 2025.
Declaração de emergência nacional, com base nas leis IEEPA (1977), NEA e na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A justificativa mencionada inclui ações do governo brasileiro consideradas “incomuns e extraordinárias”, que teriam impactado a liberdade de expressão nos EUA, empresas americanas e interesses diplomáticos.

Exceções significativas: o que fica de fora da sobretaxa
Apesar do impacto amplo, a lista de exceções divulgada pelo governo americano abrange 694 produtos, o que corresponde a 43,4 % do valor das exportações brasileiras para os EUA, segundo estimativas da Câmara de Comércio Americana no Brasil (Amcham Brasil)
Agência Brasil. Os itens dispensados da sobretaxa incluem:
Combustíveis e derivados: cerca de US$ 8,5 bi exportados em 2024;
Aeronaves civis (incluindo peças e motores): mais de US$ 2 bi em vendas;
Fabricação de ferro e aço e celulose: exportações que somam US$ 1,8 bi e US$ 1,7 bi respectivamente
Outros produtos dispensados da taxa incluem:
Suco e polpa de laranja, castanha-do-Pará, mica, madeira serrada ou lascada, fios de sisal;
Veículos de passageiros (sedans, SUVs, vans) e caminhões leves, além de seus componentes;
Eletrônicos como smartphones e aparelhos de som e vídeo;
Fertilizantes — químicos como NPK e fósforo/potássio;
Metais e minerais específicos, incluindo silício, estanho, ferronióbio e óleo de petróleo e derivados, com alíquota reduzida de 10 % em vez dos 50 % iniciais.
Produtos embarcados antes dessa data e que cheguem aos EUA até 5 de outubro de 2025 estarão isentos da nova tarifa.
Setores excluídos e impactos persistentes
Nem todos os segmentos escaparam da sobretaxa, produtos estratégicos da pauta de exportação, como café e carne bovina, não foram incluídos na lista de isentos e enfrentarão a tarifa máxima de 50 %.
Reações do lado brasileiro
A Amcham Brasil apontou:
Mesmo com alívios pontuais, os setores que ficaram fora da isenção seguem vulneráveis, com possível impacto na competitividade e em cadeias globais de valor.
O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, avaliou:
As exceções são um "sinal positivo", mas alertou que "isso não elimina os efeitos relevantes na economia brasileira" e destacou que o plano de reação do governo já está preparado, bastando definir o momento para comunicá-lo.
O contexto global e futuro das negociações
A medida faz parte de uma escalada protecionista da administração Trump, que já impôs tarifas a diversos países. O Brasil formalizou recursos junto à OMC e prepara respostas comerciais adicionais. Países latino-americanos e blocos como o BRICS expressaram solidariedade ao Brasil, enquanto a União Europeia pediu diálogo diplomático.
Analistas observam que os efeitos podem ser duradouros tanto na inflação quanto na balança comercial doméstica, e que o Brasil busca renegociar condições antes da entrada em vigor total da medida.
Tema | Detalhes Principais |
Tarifa anunciada pelos EUA | 50 % sobre exportações brasileiras, válida a partir de 6/8/2025 |
Exceções implementadas | 694 produtos — cerca de 43,4 % do valor exportado |
Setores beneficiados | Combustíveis, aeronaves civis, celulose, fertilizantes etc. |
Setores impactados | Café, carne bovina, frutas, açúcar e etanol |
Resposta brasileira | Recurso à OMC, plano de mitigação pronto, negociações em curso |
Visão final
Embora o anúncio do “tarifaço” tenha colocado em risco grandes parcelas das exportações brasileiras aos EUA, as exceções concedidas oferecem alguma atenuação dos impactos econômicos. Setores-chave da indústria e do agronegócio continuam vulneráveis, reforçando a urgência de diálogo diplomático e estratégias de defesa comercial. O Brasil agora busca negociar e mitigar os efeitos antes que a taxa de 50 % entre em vigor no início de agosto.
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